Roberto Piva

Festival do Rock da Necessidade

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Flor obscena queimando os olhos das cobras com sua pasta fosforescente, abre caminho até estes cabeludos fodidos da vida com seus banjos de alucinação & a menina de olhos cor-de-laranja canta um rock pesado FAÇA DE MIM O QUE VOCÊ QUISER que pede entre outras coisas que você a deixe NUA BÊBADA NA ESTRADA DAS ILUSÕES sem as fronteiras entre o acaso & necessidade
Pólen comia uma maça-do-amor em companhia de Lindo Olhar que acompanhou o ritmo do rock com os dedos batendo na pele do ornitorrinco.
As primeiras fogueiras foram acesas.
Pintou uma roda de samba-chinês-dodecafônico via Ezra Pound & um mulatinho que tocava pandeiro se transformou numa borboleta vermelha com perfumes raros.
Suas asas batiam contra o coração do mundo um navio chamado Aurora foi recebido com 21 trios de canhão enquanto a garota de olhos cor-de-laranja gemia no microfone sua balado SEU CORPO ERA MINHA BÚSSOLA APONTANDO A DIREÇÃO
& assim pedia o amparo trágico de algum pirado cretino chapado de encontro a um pinheiros com as mão meladas de vinho & fumo.
Os manifestos de Lindo Olhar se dirigiam aos cozinheiros aos funileiros às manicures distraídas aos fabricantes de formicidas aos garotos no dia posterior ao descabaçamento às rãs & as manifestações do puleiro.
Coxas Ardentes era seu porta-voz e secretário geral do club Osso & Liberdade.
Rabo Louco era especialista em blitzkrieg.
Lábios de Cereja organizava as sessões de orgasmo coletivo & crueldades cristalinas.
Entrega em Profundidade se encarregava dos debates & dúvidas metafísicas.
A agulha de tricô carismática
(rock balada: letra & música
de Coxas Ardentes)
pele de foca Nabucodicanduras
ganhou uma lebre ao amanhecer
gelou suas patinhas na crista da onda
espetou seu coração no punhal do engraxate
agora a costela escoteira corre a língua na bunda adormecida
o punhal é anfíbio
Coxas Ardentes tomou um gole de Kirsch & seus olhos arderam em lágrimas pensando no hambúrguer com bacon por comer & seus amores passados & a solidão presente em marcha agônica de Wagner urso do salão Nietzschiano propiciador de omeletes de queijo com vinho verde & batucadas pornosambas de Luiz II da Baviera & Peter Gast tocando Zequinha de Abreu ao piano enquanto Cosima Wagner fritava salsichões vienenses para o grupo de filólogos & Nietzsche sonhava com o corpo da salamandra eslava de Lou Andreas Salome onde acendeu seu fogo dionisíaco & pitagórico para além do horizonte de palavras mortais de Coxas Ardentes que só terá descanso quando estiver nos braços do Andrógino Antropocósmico.

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“La bocca e le parole son l’arco e le saette che tu hai Canzone Nicollò Machiavelli Quando alguém atravessa a floresta cai o pano do grande teatro as unhas viram fogo & começa a destruição em nome da Fruta da Paixão suave pele de maracujá […]

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mestre Murilo Mendes tua poesia são

os sapatos de abóboras que eu calço nestes dias de verão. negócio de bruxas. o sol caía na marmita do adolescente da lavanderia. você veria isto com seu olhar silvestre. um murro bem dado no vitral que eu mais adoro.

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À Deriva no Rio da Existência

abandonar tudo. conhecer praias. amores novos. poesia em cascatas floridas com aranhas azuladas nas samambaias. todo trabalhador é escravo. toda autoridade é cômica. fazer da anarquia um método & modo de vida. estradas. bocas pefumadas. cervejas tomadas nos acampamentos. Sonhar Alto.

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