Claúdio Willer

Sobreviveremos (Ruínas Romanas)

0 Love this post.0
Ruínas

Quantos poetas já não estiveram aqui
quantos já não escreveram
sobre a ofuscante aniquilação
diante desses dramáticos perfis minerais
quase natureza
reduzidos a não mais que montanha
tão perto da pedra original
barro anterior à forma
fronteira da mão que trabalha, do vento, da água
neles ressoa a ensandecida voz do oco, do cavo, da fresta
os silvos do vento
no silêncio matizado de sussurros
e agora também sou dos que enxergam
o informe
monstruoso passado
escultores do avesso os reduziram a isso
os autores do cruel teorema
que nos condena ao presente
e repete que nada sabemos e nada vale a pena
pois passado e futuro só existem
como passo para a informe eternidade
a custo divisamos lá fora a realidade logo ali
outro lugar
onde existiremos menos ainda
nós é que somos os fantasmas
e a solidez é o que está aí,
nas ruínas
a dizer-nos que isto –
nada
– é tudo o que temos

Relacionado

Grito

Uma Fronteira para o Grito

Inseguro entre o céu e a estepe, suspenso num fluir de roda gigante, embebido na minha nostalgia de centauros, eu devoro pedaços de musgo e raízes de plátano, estendido em jardins intermináveis onde se modelam arcanjos. Teria sido muito mais fácil escrever cartas de amor, […]

Love this post.0

Visitantes 4

nosso espaço é o espaço do terrível o pântano varrido por ventos mornos atravessando os flautins de sargaços a noite definitiva e o grito congelado penetremos aos poucos neste jardim de negações onde a palavra pede mais espaço não há mais muita vida sobre a […]

Love this post.0

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *