Márcio Coutinho

Multiculturalismo e Globalização: contrastes

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Secagem de sizal

multiculturalismo é um fenômeno mundial de transformações sociais e conseqüência de vários sintomas de origens raciais, migratórias e principalmente do questionamento por uma cultura mais justa e politicamente correta. O mundo pós-guerra buscando fugir do monoculturalismo, reivindica uma abertura igualitária e conquistas de fronteiras em grande escala no que diz respeito ao desenvolvimento de estudos, lingüística e artes.

No Brasil na maioria das vezes foi discurso de reivindicações das minorias tidas como militância, que idealizavam uma sociedade que respeitasse as diferenças e não fosse necessariamente homogênea.

No entanto, o governo e boa parte da sociedade não conseguiram aceitar tais diferenças e segregaram tais ideologias julgando um perigo à unidade nacional e à identidade do país.

É fato que reivindicantes mais radicais mostraram um descompasso entre teorias e práticas se valendo da bandeira multiculturalista, o que é compreensível visto que viviam sobre administração que impunha uma homogeneização forçada, que se arrasta , mesmo que camuflada, até hoje.

Nos últimos quinze anos essa questão tem sido questionada e debatida por escritores, políticos e sociedade, quando repentinamente vemos o multiculturalismo tranformar-se em assunto polêmico e objeto de recentes debates. É inegável a pluralidade das identidades em via da globalização e devido a conquistas relativamente recentes que provocam hoje uma nova estética da política econômica e sócio-cultural do país, sustentando um aparente reconhecimento de direitos e colhendo os frutos da abertura multicultural.

Porém a diversidade cultural é ainda desafio para a educação da língua, literatura e outros aspectos culturais. O fenômeno da globalização não significou o ir e vir de todas as idéias permitindo aos cidadãos uma realidade verdadeiramente igualitária para vivência de fronteiras em diferentes áreas, manifestações culturais e artísticas.

A globalização decide o que e a quem importar, sufocando a espontaneidade e opondo-se a idéia de um mundo sem fronteiras, concentrando-se apenas no entusiasmo do comércio, na aquisição de tecnologia e grandes negócios.

Os países pobres fomentados por essa pseudo-solidariedade entre os povos, desviam atenção e recursos das áreas que viriam a gerar desenvolvimento humano, como saúde pública, educação, etc, para subjugarem-se a esta nova forma de colonialismo.

O governo deixou de definir a cultura e parece vê-la como um mero reflexo das indústrias culturais, que obscurecem as diferenças e as práticas, mantendo uma visão centrada e homogênea do mundo.

É claro que as idéias podem ajudar a entrever saídas para grandes problemas de ordem mundial, e que existe o aspecto surpreendente de sociedades distantes e isoladas se tornarem próximas e acessíveis, mas é preciso prever onde terminam as influências positivas e onde começam as intervenções na própria identidade cultural, para que possamos dialogar contradições e termos nossa própria forma de enxergar e dizer o mundo.

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