Marcello Lagonegro

Espasmos

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Cenário para Howl: memórias dos anos Waugh

Neste dia de hoje
da cólera
se fez o futuro.
O passado descansa
na rede embalada
pela discórdia.
Águia brava que
rapina a carne, a água e
o vinho.
Desce pela garganta
ardendo pelo togo
tragado.
Espuma de sangue
flui e ferve nas
veias enrijecidas
pelo éter.
E o pensar de um louco, varrido
que se dilacera
nas ondas amargas de
um viver ao mesmo tempo
imundo e sadio.

Espasmos de pensamentos
jorram de minha
cabeça
turbilhonada pela
luta voraz do
dia-a-dia igual,
sempre igual.

Descansais-vos hoje
como descansastes ontem.
Amanhã será outro
cansaço se cansando
para sempre
Para todos, os dias, as horas,
são longas e ritmadas
pelo eterno tic-tac do
relogio do tempo sem-fim.
Sem fim é marca
do sangue
que constantemente
marca a batida ritmada
do meu
peito. Coração.
Quase sai pela boca fora.
Loucuras que eu deixei para
amanhã ontem
hoje sempre.
E assim é o marulho das
ondas rebentando em pedras.

Nas encostas, as costas
ficam duras, do frio,
das milhares de gotas
que pingam e molham
não só as costas, mas todo
o corpo.
Assim são as coisas…
Na loucura do tempo que
passa-passa tento perceber
aquilo que se tornou,
imperceptíveis: as coisas.
Gosto delas. Mas não como
são. Sãs são não as coisas e
sim os loucos.
Loucura e coerência
compõem o mesmo
Diadema, de gloria e
de sangue.Sangue
que flui nas veias
e projeta a vida.
E a vida vai, vai percorrendo
os caminhos que, no refluxo
do espaço sem tempo
despeja sobre a vida
toda a sua
confusão.
Comfusão de tempo, espaço
e vida.
Entretanto, no final,
sempre a mesma
coisa: a morte

Marcello Lagonegro nasceu na cidade de São Paulo, Brasil, filho de uma família de classe média falida, de maneira que se empregou muito cedo. Formou-se Bacharel em História pela USP (Universidade de Sào Paulo) em 1998 e licenciou-se em 2000. Aos 30 anos Marcello Lagonegro, com seu livro Espasmos, lança-se na nada fácil carreira de escritor, no desolador cenário que as letras brasileiras reservam aos “ilustres escritores desconhecidos”

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