Allan da Rosa

Paz cruel de vinte e cinco

0 Love this post.0
Neal Cassady
Essa porra de poesia 
Presente no estranho
              na dúvida
              no delírio
              no calor

Essa porra de poesia 
	      soterrada
                  deitada no corredor do hospital
                  queimada na madrugada
	       na sacola cheia de restos da feira
	       no córrego onde nadam ratazanas

Essa poesia sangrante
Não se escreve na escola
Porque lá tá sem lousa, giz, professor
Ela se bebe por menos que um real
Para o tio bater nos filhos sem pesar, sem pensar

Essa porra de poesia 
Não dá presente de natal			
Apesar de algumas luzes brilharem na viela
E surpreendentemente não serem balas que avoam
Nem isqueiros beijando latas de refrigerante

Relacionado

Kilimanjaro

Como encher a FEBEM ou Destilação

Desliga essa TV caralho Tô cansado Faz um ovo Também tô porra Me deixa ver a novela Acaba essa semana Depois vem outra diacho Vou quebrar essa merda E sua cara junto Covarde Diz amém pro teu chefe Perde em tudo Dominó, bilhar, palito Quer […]

Love this post.0

Ode a São Paulo

São Paulo Dos ratos gigantes vomitando cinza Sertão São Paulo Marginal, barraco no barranco Deslizes urbanos São Paulo paranóia no olhar Metrô e CBTU Latas de sardinha Lotação lotada, populacho em marcha Importado blindado Carrinho de mão atrás de papelão São Paulo samba forró e […]

Love this post.0
Mulheres

Safra

Rua Augusta Garoa esta tarde No eterno exercício cotidiano à espera do coletivo De todos os soldados dessa guerra xucra Apenas um imenso mendigo resignado e uma jovem paralítica Me concederam colher o vislumbre do sorriso Americanópolis De manhã Semi-nua A criança caiu Escorregou na […]

Love this post.0

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *