Categoria: Claúdio Willer

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Uma Fronteira para o Grito
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Uma Fronteira para o Grito

Inseguro entre o céu e a estepe, suspenso num fluir de roda gigante, embebido na minha nostalgia de centauros, eu devoro pedaços de musgo e raízes de plátano, estendido em jardins intermináveis onde se modelam arcanjos. Teria sido muito mais fácil escrever cartas de amor, para serem estendidas ao longo das estradas e pelas paredes...

O Serpentário e suas Ramificações
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O Serpentário e suas Ramificações

A cidade e seu esqueleto múltiplo e inevitável, seus animais incendiados e turbilhões de fomes sem fim. Dentro dela, o grande estômago absorvendo todas as contemplações. Vitrais pulverizados envolvem os grandes prédios, a magia coloca-se ao alcance de todos sob forma de um corrimão que aponta para a morte da Perspectiva. Foram setenta vidas, talvez...

Poemas para ler em voz alta
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Poemas para ler em voz alta

1 EROS viajantes inertes imersos no silêncio dessas horas quando o tempo não é mais tempo porém lassidão e nossos corpos arquejantes construções envoltas em nudez testemunhada apenas pelos objetos da casa, os quadros na parede, os pesados móveis, os livros e suas lombadas, vasos de plantas, espelhos, e mais a negra silhueta dos prédios...

Poética
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Poética

1 então é isso quando achamos que vivemos estranhas experiências a vida como um filme passando ou faíscas saltando de um núcleo não propriamente a experiência amorosa porém aquilo que a precede e que é ar concretude carregada de tudo: a cidade refluindo para sua hora noturna e todos indo para casa ou então marcando...

Vulcão (fragmento)
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Vulcão (fragmento)

II O grande círculo aproxima-se e aí você não entenderá mais nada sobrarão algumas perguntas para serem feitas um certo desequilíbrio verde verde verde outro tempoaproximadamente ontem/agora fábulasexorcismo antemanhã fantasma de bronze cantos perpétuos sobrenadando a madrugada então ninguém conseguirá entender mais nada uma sortida temerária libélulas traços sem destino na curva dos dentes

Chegar Lá
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Chegar Lá

E agora quero a palavra reduzida ao simples gesto de agarrar alguma coisa, pura denotação, linguagem-referência, mão estendida apontando para esses pedaços de realidade – ou então a festa com todos os seus fantasmas sentados no sofá de absinto enquanto sangram os dedos da memória, tudo verdadeiro no limite do que possa ser verdade, o...

Sobreviveremos (Ruínas Romanas)
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Sobreviveremos (Ruínas Romanas)

Quantos poetas já não estiveram aqui quantos já não escreveram sobre a ofuscante aniquilação diante desses dramáticos perfis minerais quase natureza reduzidos a não mais que montanha tão perto da pedra original barro anterior à forma fronteira da mão que trabalha, do vento, da água neles ressoa a ensandecida voz do oco, do cavo, da...