Festival do Rock da Necessidade

Festival do Rock da Necessidade

Flor obscena queimando os olhos das cobras com sua pasta fosforescente, abre caminho até estes cabeludos fodidos da vida com seus banjos de alucinação & a menina de olhos cor-de-laranja canta um rock pesado FAÇA DE MIM O QUE VOCÊ QUISER que pede entre outras coisas que você a deixe NUA BÊBADA NA ESTRADA DAS ILUSÕES sem as fronteiras entre o acaso & necessidade
Pólen comia uma maça-do-amor em companhia de Lindo Olhar que acompanhou o ritmo do rock com os dedos batendo na pele do ornitorrinco.
As primeiras fogueiras foram acesas.
Pintou uma roda de samba-chinês-dodecafônico via Ezra Pound & um mulatinho que tocava pandeiro se transformou numa borboleta vermelha com perfumes raros.
Suas asas batiam contra o coração do mundo um navio chamado Aurora foi recebido com 21 trios de canhão enquanto a garota de olhos cor-de-laranja gemia no microfone sua balado SEU CORPO ERA MINHA BÚSSOLA APONTANDO A DIREÇÃO
& assim pedia o amparo trágico de algum pirado cretino chapado de encontro a um pinheiros com as mão meladas de vinho & fumo.
Os manifestos de Lindo Olhar se dirigiam aos cozinheiros aos funileiros às manicures distraídas aos fabricantes de formicidas aos garotos no dia posterior ao descabaçamento às rãs & as manifestações do puleiro.
Coxas Ardentes era seu porta-voz e secretário geral do club Osso & Liberdade.
Rabo Louco era especialista em blitzkrieg.
Lábios de Cereja organizava as sessões de orgasmo coletivo & crueldades cristalinas.
Entrega em Profundidade se encarregava dos debates & dúvidas metafísicas.
A agulha de tricô carismática
(rock balada: letra & música
de Coxas Ardentes)
pele de foca Nabucodicanduras
ganhou uma lebre ao amanhecer
gelou suas patinhas na crista da onda
espetou seu coração no punhal do engraxate
agora a costela escoteira corre a língua na bunda adormecida
o punhal é anfíbio
Coxas Ardentes tomou um gole de Kirsch & seus olhos arderam em lágrimas pensando no hambúrguer com bacon por comer & seus amores passados & a solidão presente em marcha agônica de Wagner urso do salão Nietzschiano propiciador de omeletes de queijo com vinho verde & batucadas pornosambas de Luiz II da Baviera & Peter Gast tocando Zequinha de Abreu ao piano enquanto Cosima Wagner fritava salsichões vienenses para o grupo de filólogos & Nietzsche sonhava com o corpo da salamandra eslava de Lou Andreas Salome onde acendeu seu fogo dionisíaco & pitagórico para além do horizonte de palavras mortais de Coxas Ardentes que só terá descanso quando estiver nos braços do Andrógino Antropocósmico.

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