| Fragmentos do Fim 2 |
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| Escrito por Ungulani Ba Ka Khosa | |||
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Sentindo que pisava um objeto estranho e duro o cavalo levantou as patas dianteiras, relinchou, e voltou a poisá-las sobre o corpo, precisamente sobre o ventre leve e macio do negro. O negro gritou, enterrou os dedos na areia húmida, abriu desmesuradamente os olhos, saltou-lhe um jacto de sangue pela boca e viu a tripas a sairem, perfuradas por balas. O coronel galhardo olhou para o negro, viu as tripas a escorrerem pela terra, viu os liquidos intestinais a desaparecerem por entre o capim amassado, viu o sangue a escorrer pelo corpo,e não se comoveu.Olhou de novo para o rosto do negro, e notou que o homem tentava soerguer a cabeça. Do pescoço os nervos despontavam, tensos. "Onde está o rei?" perguntou O negro voltou a abrir desmesuradamente os olhos, tentou enterrar com mais força os dedos, ergueu lentamente a cabeça, expeliu um novo jacto de sangue pela boca e voltou a tombar a cabeça definitivamente sobre a terra. O coronel olhou para o sangue que escorria nas patas dianteiras do cavalo, olhou para o rosto desfigurado pela morte e comentou com um leve sorriso entre os lábios: "Estes pretos têm uma força de cavalo!..." Puxou as rédeas do cavalo, virou-o à esquerda, e contemplou com certo cansaço o mar de mortos sem sepultura que a planície ostentava. Ao longe, silenciosa, erguia-se a capital do império de Gaza. As casas, pardas, adormeciam na noite que fugia. "Queimem a povoação!" sentenciou o coronel e esporeou o cavalo em direção ao outeiro mais próximo. Ayres d'Ornellas, in "Cartas de África" de Ualalapi
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