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Escrito por Roberto Piva
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Teu sorriso olhinhos como margaridas negras meu amor navegando na tarde batidas de pêssego refletindo em teus olhinhos de fuligem cabelos ouriçados com um pequeno deus de um salão rococó força de um corpo frágil com âncoras gostei de você eu também amanhã então às 7 amanhã às 7 tudo começa agora num ritual lento & cercados de gardênias de pano Teu olhar maluco atravessa os relógios as fontes da tarde de São Paulo como desejo espetacular tão dopado de coragem marfim de teu sorriso nascosto fra orizzonti perduti assim te quero: anjo ardente no abraço da Paisagem O ANJO NO BANHEIRO AMANDO A COMUNA DE PARIS DEIXA-SE FOTOGRAFAR COMENDO UMA FRUTA-DO-CONDE eu me preparo para estas cidades sem limites o deserto & suas línguas trepidantes marchas de samurais atentos nos pântanos longe sem sair do lugar (AMO TUA BOCA DEVASTADA POR FUMAÇA DIABÓLICAS) uma rosa na ponta dos olhos uma rosa em tua boca errante meus olhos fixos na fonte do paraíso (O MUNDO MUDA A COR DA JABUTICABA MUDA TEU CU MUDA O CHAPÉU DO VIZINHO MUDA TEU SEXO MUDA O ÍNDIO MUDA HOLDERLIN MUDOU HEGEL MUDOU TECNÓPOLIS MUDA & MUDAMOS CADA DIA MAIS PARA O PORÃO DA VIDA COMO RIMBAUD ARTAUD MACUNAÍMA ROSA LUXEMBURG) o dragão corre na corveta caraíba as coxas têm febre eu nem planta nem fantasma o verdadeiro veneno MODESTA CRIATURA CIDADÃO DE UM MUNDO EM CHAMAS eu faço esta advertência: A PERFEITA MÚSICA ESTÁ NO AÇO canteiros folhudos cheios de silêncio espaço cósmico samba-canção do nada (A EPOPÉIA DO AMOR COMEÇA NA CAMA COM OS LENÇÓIS DESARRUMADOS FEITO UM CAMPO DE BATALHA) é ali que eu começo nascer para a madrugada & suas vertigens onde você meu amor se enrosca em meu coração paranóico de veludo verde & as delícias de continentes alaranjados dormem em seu rosto de pérolas turvas oh tambores do amor sem parar rumo às tempestades PLANETÁRIAS & suas cachoeiras tristes & pesadas como lágrimas gosto de gostar & a tv da alma amanhece bêbada & tenta dizer alguma coisa
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