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O apanhador no campo de centeio - meu irmão D.B. Imprimir E-mail
Escrito por Jerome.D.Salinger   

Uma vez fui escoteiro, mais ou menos durante uma semana, e já não agüentava mais nem olhar para a nuca do camarada na minha frente. Os monitores ficavam o tempo todo mandando a gente olhar para a nuca do companheiro da frente. Juro que se houver outra guerra, é melhor me pegarem logo e me botarem na frente de um pelotão de fuzilamento. Juro quc não ia protestar. O que eu não entendo no D.B. é que ele, mesmo detestando tanto a guerra, me disse para ler "Adeus às Armas" nas últimas férias. Disse que o livro era o máximo. É isso que eu não entendo. Tinha no livro um sujeito chamado Tenente Henry que era considerado um bom sujeito e tudo. Não sei como o D.B. podia detestar tanto o exército e a guerra e tudo, e ao mesmo tempo gostar de um cretino daqueles. Não entendo, por exemplo, como ele pode gostar de um livro cretino daqueles e ainda gostar daquele do Ring Lardner, ou daquele outro que ele gostava pra chuchu, "O Grande Gatsby". O D.B. ficou ofendido quando eu disse isso e respondeu que eu era muito garoto e tudo para apreciar o livro, mas não concordo. Disse a ele que gostava do Ring Lardner e de "O Grande Gatsby" e tudo. Gostava mesmo. Eu era tarado pelo "O Grande Gatsby". O Gatsby velho de guerra - eu vibrava com ele. De qualquer maneira, até que achei bom eles terem inventado a bomba atômica. Se houver outra guerra, vou me sentar bem em cima da droga da bomba. E vou me apresentar como voluntário para fazer isso, juro por Deus que vou.


de O Apanhador no Campo de Centeio
de J.D.Salinger
Editora do Autor, 1969
Tradução: Álvaro Alencar, António Rocha, Jório Dauster

 

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