Um eremita arredioPor Jamilla de Castro A última vez em que se ouviu falar de Salinger foi em 1999, quando o empresário Peter Norton, pai e dono do software Norton Utilities, arrematou num leilão 14 cartas do autor endereçadas a Joyce Maynard, um antigo amor, 27 antes. Peter pagou por elas US$ 156.500 e fez questão de devolvê-las ao remetente, como um presente de admirador, por intermédio de Phyllis Westerberg, agente do escritor. Em 1998, Maynard lançou um livro de memórias, At Home in the World, onde revela como foram os meses em que dividiu com o autor a mesma cama. O romance entre J. D. Salinger e Joyce Maynard teve início em 1972, quando ela, aluna de Yale, foi capa da revista dominical New York Times. Neste ano Maynard tinha apenas 18 anos e parecia ser uma brilhante escritora iniciante. Salinger, já com 53 anos, ofereceu-lhe por cartas alguns conselhos de escritor, confissões e juras de amor. O romance durou até agosto de 1973. Margaret A. Salinger, filha do escritor, publicou em 2000 um livro sobre sua infância, Dream Catcher. Margaret escreveu em suas memórias fatos que não revelam apenas a sua vida, mas alguns aspectos íntimos e anteriormente desconhecidos da vida de seu pai. No livro Margaret revela que nada podia interromper o trabalho dele, pois considerava esse momento como a busca da iluminação. Ela fala ainda que Salinger maltratava sua esposa, Claire Douglas (com quem se casou em 1950), mantendo-a praticamente prisioneira em sua casa em Cornish, New Hampshire - para onde se mudou em 1953 e nunca mais saiu de lá. Ele não permitia que ela fosse visitar amigos e familiares. A filha de Salinger comenta também que seu pai seguiu a cientologia, a homeopatia e a Ciência Cristã. Além disso, bebia urina e sentava-se numa caixa de orgônio (uma espécie de aparelho para captar a energia vital do universo); falava em línguas, jejuava até ficar esverdeado e, quanto mais idoso, mais mantinha correspondências com meninas adolescentes. Em 1966 J.D. Salinger e Claire Douglas se divorciam; Claire trabalha hoje na Califórnia como analista junguiana. J.D. Salinger é filho de Miriam, uma irlandesa católica, e Sol Salinger, um próspero comerciante de alimentos de Nova York. Jerome nasceu em 1º de janeiro de 1919 e cresceu no Upper West Side e na Park Avenue, e freqüentou a Academia Militar de Valley Forge. Mirian era uma mãe superprotetora, em uma carta a Hemingway, Salinger disse que, quando tinha 24 anos, sua mãe ainda o levava à escola. Salinger até chegar à adolescência acreditava que seus pais eram judeus, depois descobriu que sua mãe era uma irlandesa católica; mesmo assim ele experimentou o anti-semitismo. Na Segunda Guerra Mundial ele foi agente de contra-inteligência e trabalhou no 12º Regimento da Quarta Divisão interrogando os soldados. Salinger participou da mais violentas campanhas de guerra na Europa, inclusive do Dia D. e da Batalha das Ardennes. Em 1945, na Alemanha, o escritor foi hospitalizado com "fadiga de batalha". Antes de ser hospitalizado Salinger prendeu uma jovem funcionária do Partido Nazista, chamada Sylvia, e depois se casou com ela. O Casamento foi breve. De resto, pouco se sabe a respeito da vida do escritor, que publicou sua última obra em 1965. Em 1949, o produtor Samuel Goldwyn e o diretor Mark Robson filmaram o conto Uncle Wiggly in Connecticut, que na tela recebeu o nome de My Foolish Heart (no Brasil, Meu Maior Amor). Decepcionado com a filmagem Salinger proibiu a adaptação de suas obras para o cinema, o teatro e a televisão. Essa proibição deverá perdurar após sua morte, conforme documento lavrado em cartório. Salinger possuía no começo da década de 70 uma coleção de filmes da década de 30 e 40 em 16mm. |
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