Silenciem a prostituta da Babilônia

Silenciem a prostituta da Babilônia

SILENCIEM

a prostituta da Babilônia
Lama de alta voltagem entrou na sua boca
quando ela se inclinou reverentemente diante de Mamon

Nas encostas da Sierra Madre de Chihauhau
dançam à luz de fogueiras
fazem cruzes diante de espelhos
sangrias empalideceram os homens que eles pr6prios nos dizem

CAlRAM DO CÉU!

danças -fogueiras -comem o fruto amargo da terra
que se parece com o maná -Ó homem! Ó homem!-
a secreção dos piolhos das plantas
ou mercados negros em uma pérola de som inaudível
Por causa dos lamentos da auto-compaixão
dos histéricos vendedores de idéias
dos destruidores zelosos de palavras

TÔDAS ESSAS COISAS

devem ser SILENCIADAS uma vez que estão dentro de nós
e multiplicam as prostitutas doces como sacarina
como esta AQUI
Dançando
ao ritmo de drogas traiçoeiras que envenenam a saúde
que fazem minha cabeça suar excremento!
que cospem saliva nos meus ossosl
que acenam com infinitas possibilidades de
êxtases eróticos simuladosl
NÃOI
NÃOI
NÃOI
não é para êste pânico de ídolos que persuadem nossa época com falsos relógios de anjos
que haveremos de viver – mas para a pomba descida do céu!


Philip Lamantia é um flamejante catôlico romano que, vez por outra, acerta no alvo e acende todas as luzes de seu poético papa-níquel. Sua mais forte tendência é para o misticismo, para o êxtase, para tudo enfim que é sensual e perigoso. Quando acerta, o resultado é excelente. Mas por vezes sua poesia torna-se vaga e desafinada; suas falhas, porém, fazem parte do risco que corre para atingir os picos altos e preciosos que entram na memória como um exército cristão de luzes de neon. Um texto ardente, o que incluímos aqui, se bem que marginando os excessos do gênero. Por momentos, contudo, sua poesia nos arranca um calafrio.” (Seymour Krim, 1968)


de Geração Beat – Antologia
Org. por Seymour Krim
Editora Brasiliense, 1968.

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